Até pouco tempo, os acessórios masculinos se limitavam a relógios e abotoaduras. Mas a história mostra que nem sempre foi assim. Na retrospectiva feita pela designer Eliane Gola no livro “A Joia: Historia e Design” (editora Senac), nos séculos XV e XVI, tanto mulheres quanto homens usavam brincos, colares, perucas e maquiagem. Esse costume, que representava elegância e status social, diferenciava a elite do restante da população. Nos séculos 18 e 19, os acessórios foram deixados de lado, assim como maquiagem e roupas mais coloridas. A retomada ocorreu só a partir dos anos 1960 e 1970, quando voltaram os cabelos compridos e brincos, primeiro entre artistas e jogadores de futebol.

Hoje, os adornos masculinos estão bem mais populares e incluem pulseiras, anéis, brincos, piercings. De 2007 até 2016, ainda segunda Eliane Gola, esse mercado dobrou de tamanho. A consultoria americana Unity Marketing relatou que as vendas de joias para mulheres cresceram 6,5% entre 2007 e 2009. O percentual de vendas das joias masculinas chegou a 10% no mesmo período.

O anel é a peça preferida deles, com 51% das vendas, sem contar as alianças de casamento. Em seguida vêm as pulseiras, com 23%, e os colares, com 21%.Na quarta posição estão as abotoaduras.

Celebridades como Pharrell Williams, Johnny Depp e Bruno Gagliasso, que usam adereços com bastante estilo, ajudam a popularizar a tendência mundo afora, assim como criadores que dão forma a esse desejo recente.

Designer catarinense referência em peças elegantes e contemporâneas,  Viviany Amorim percebe o potencial de uma bela joia masculina e costuma criar peças para eles. Recentemente a joalheira criou um anel para o cantor Lenine. Batizado de Duna e em Prata 925, o anel tem textura exclusiva que remete às dunas e as areias da Ilha.

Batemos um papo com Viviany sobre criações masculinas, que podem ser uma boa ideia de presente para o Dia dos Pais:

Você acha que os homens estão mais abertos a utilizar joias atualmente?
Acho que estão despertando para as joias. Desde os homens clássicos até os mais arrojados, todos podem fazer uso dos acessórios. Imprescindível é ter personalidade.

Quais são as suas inspirações quando o assunto é estilo masculino?

Minhas inspirações são sempre muito próximas a mim, não costumo olhar muito para um ideal de homem e sim para homens reais. Olho para o meu marido e penso o que ficaria legal nele, olho meus amigos e fico divagando sobre o que eles gostariam de usar. Sigo sempre observando o que está ao meu redor. Uma pessoa que eu sempre sonhei de usar um anel meu foi o Lenine, com quem meu marido (o pianista Luiz Gustavo Zago) trabalha atualmente, quando colocávamos o dvd dele em casa ficava olhando seus dedos cheios de aneis, compartilha a designer que também faz pecas por encomenda.

Quais são materiais preferidos deles?
Eles preferem prata ou ouro branco. Gosto de fazer peças com couro e prata e em ouro branco com diamantes negros acho que essas composições ficam bem elegantes numa peça.

Pode destacar algumas peças masculinas que já criou?
Essa pergunta me faz perceber o quanto eu gosto de todas as peças que eu desenho, mas vou escolher o escapulário com a frase “Que todo meu amor te proteja” adoro a ideia do amor protegendo a quem se ama, o anel Duna que eu fiz para o Lenine e no mais tenho as encomendas que vem cheias de significados, cada uma com uma história de cada cliente, seja a relação com a família, com um hobby, esporte ou crença. Acho lindo quando representamos aquilo que somos numa peça. Quando vêm esses pedidos, eu desenho e o cliente sempre se surpreende. Eu adoro essa sensação que essas peças trazem.